terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

HUMBERTO RANGEL - DIRETOR DO ESTALEIRO ENSEADA DO PARAGUAÇU EM ENTREVISTA A BAHIA ECONOMIA





 

BAHIA ECONÔMICA - Em que estágio está a implantação do Estaleiro e qual a perspectiva da sua entrada em operação?

HUMBERTO RANGEL - As obras para construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), em Maragojipe, estão em fase de terraplanagem e de dragagem de aprofundamento para construção do cais de atracamento e do dique-seco. A previsão é de que o estaleiro comece a operar em janeiro de 2014. O cronograma das obras está em total sintonia com o que foi planejado e o apoio que temos recebido do Governo da Bahia tem sido fundamental para avançarmos com o projeto, que representa o maior investimento privado da Bahia nos últimos 10 anos.


BE – Em relação à qualificação da mão de obra, a sua capacitação será através do SENAI ou do Governo do Estado da Bahia? A mão de obra a ser utilizada será local?

HR - Impulsionado pela construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), em Maragojipe, um programa de qualificação profissional está em curso para capacitar a mão de obra formada por moradores de ao menos 10 municípios do entorno do Estaleiro. Iniciado em setembro de 2012, o programa de qualificação capitaneado pelo Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP), responsável pelas obras civis do Estaleiro, utiliza as seguintes metodologias: Programa de Qualificação Profissional Continuada (Acreditar), da Organização Odebrecht, e o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), executado pelo Serviço Nacional da Indústria (SENAI). Temos o compromisso de contratar 40% de mão de obra local. Muitos jovens da região já estão empregados e outros tantos estão sendo preparados para em curto espaço de tempo integrar nossas equipes. Caso queiram, muitos empregados que hoje estão atuando na construção do Estaleiro serão preparados para a atuação na indústria off-shore.

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BE – O estaleiro reuniu fornecedores que poderão fornecer bens e serviços a empresas para a construção de navios-sondas. Esses fornecedores serão empresas baianas?

HR - É interessante que sejam, mas naturalmente muito trabalho precisa ser feito. O Estaleiro é um grande empreendimento, estratégico para o desenvolvimento econômico e social da Bahia, e precisará se valer de fornecedores que sejam parceiros e que tenham expertise com a indústria naval. Preocupado com o assunto, o EEP realizou no final de janeiro uma Rodada de Negócios com Fornecedores Estratégicos. O resultado foi muito bom. Fomos procurados por mais de 250 empresas da Bahia e de outros estados, das quais 100 foram selecionadas para a rodada, que aconteceu na sede da FIEB, em Salvador. Certamente muitas parcerias serão firmadas, sobretudo nos setores de partes, peças, serviços, equipamentos, instituições de ensino e pesquisa do setor. A etapa de terraplanagem, por exemplo, está sendo feita por uma empresa baiana.
 


BE – Há possibilidade de canteiros de módulos que existem na Bahia (ou que serão implantados) produzirem módulos e outros equipamentos para o estaleiro?

HR - A instalação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) tem visão de longo prazo com nível permanente de encomendas e, para isso, será preciso desenvolver e atrair fornecedores para atender às demandas das áreas de Engenharia e de Suprimento do Projeto de Sondas do EEP.


BE – A previsão é que o estaleiro gere 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. O estaleiro dará transporte a essa mão de obra ou ela será captada nas redondezas?

HR - Todas as alternativas estão sendo estudadas. Atualmente, durante a fase de construção do Estaleiro, em Maragojipe (BA), o EEP gera cerca de 3 mil oportunidades de trabalho diretas. No pico da obra, que deverá ocorrer em maio de 2013, serão 4.500 integrantes e a prioridade é ter mais de 50% dos profissionais contratados do entorno do estaleiro. Após o início das operações, previsto para 2014, serão 5 mil oportunidades diretas e 15 mil indiretas. Soluções de transporte de funcionários já estão sendo desenvolvidas para atender às necessidades do EEP na região. O Estaleiro impacta 16 municípios baianos, gerando emprego, renda e oportunidades para milhares de famílias baianas. Com o apoio do Governo, estamos planejando uma série de intervenções viárias para garantir o transporte seguro dos nossos empregados. Não descartamos, inclusive, a montagem de um sistema de transporte marítimo.
 
BE – Quais as obras de infraestrutura ficaram sob a responsabilidade do governo do estado? A recuperação da estrada de Salinas de Margarida até o site da empresa e a ponte do Rio Baetantã são algumas dessas obras. Elas já têm previsão de serem iniciadas?

HR - O EEP e o Governo da Bahia trabalham conjuntamente para concluir as obras de infraestrutura do entorno do estaleiro. As intervenções para ampliação da BA 534 estão em andamento e os editais para construção da ponte do Rio Baetantã e da rodovia de contorno ligando Enseada do Paraguaçu à São Roque deverão ser lançados nos próximos dias. Além disso, existe o compromisso de fornecimento de luz para a obra, luz definitiva, água e esgotamento sanitário.
 


BE – Muitas empresas baianas da área de engenharia queixam-se que o mercado baiano se fechou para elas. O estaleiro pode mudar esse quadro?

HR - A implantação do EEP na Bahia envolve um investimento superior a R$ 2,5 bilhões, o maior aporte privado no estado nos últimos 10 anos. A rodada de negócios realizada em janeiro teve justamente o objetivo de desenvolver uma rede de fornecedores. A instalação do Estaleiro tem visão de longo prazo com nível permanente de encomendas e, para isso, será preciso desenvolver e atrair fornecedores.


BE – Quando começar a operar, o estaleiro fará da Bahia um dos players da indústria naval do Brasil?

HR - O EEP está sendo construído já com contratos de aproximadamente US$ 6,5 bilhões na Bahia e no Rio de Janeiro, o que aponta para uma empresa já consolidada no setor, mesmo com pouco tempo de atuação. O início da operação do Estaleiro está previsto para janeiro de 2014 e, como já disse, ele está sendo instalado com visão de longo prazo com nível permanente de encomendas, o que aponta para o estabelecimento da Bahia como um dos players da indústria naval.


BE – Quais os desdobramentos a médio e longo prazos?

HR - Quando o estaleiro começar a operar serão gerados cerca de cinco mil empregos diretos e 15 mil indiretos, o que representa um impacto no desenvolvimento da região. Além disso, de acordo com o presidente da FIEB, o EEP é um empreendimento chave para o desenvolvimento de um polo metal mecânico na Bahia. É neste caminho que o Estaleiro deseja se desenvolver, apoiando e colaborando para o crescimento saudável da região no setor de construção naval e de toda a cadeia de fornecedores envolvida.
 

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